Quando tudo quer dizer nada as baratas sobrevivem ao ataque. Ao ataque nuclear, ao ataque das sombras, das línguas e das más línguas. Kafka se escondia debaixo da cama, mas eu, como barata bem mais barato, escondo-me nos arredores da cidade abafada e vazia. Os espíritos bacanas se encontram viajando. Eu sobrei nas profundezas dos becos, nas avarezas das esmolas de vida. E eu ainda posso sorrir, pois meu espírito é forte. Como o espírito das tantas Kafkas que me rodeiam, e me rodeiam como lá. Sim. Agora me resta o todo, o tudo, a imensidão da escolha antes de reclamar. Eu viro um copo de Logan sem gelo e o sabor invade minhas entranhas até lágrimas escorrerem pelos olhos que já estão necessitando de um braço bem maior para minimizar o astigmatismo. Eu penso em algo pra fazer e resolvo, na minha solidão gostosa , colocar um CD do R.E.M.. É tanto e me basta. É a virada ideal para deixar a alma à vontade. Alegre. Sorrindo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário